Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Suspense. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Aquela experiência traumática que ele tentou evitar

Poço.
E ele sentia crescer dentro de si aquela apreensão imensa e esmagadora, que na verdade se tratava de um profundo e escuro
poço
consumindo-o, abrindo uma ferida que esperança ou misericórdia alguma poderiam suprimir, uma ferida tão grande que sua presença, afinal, não passava de uma verdadeira ausência de algo que outrora estivera ali e parecia-lhe ser algo de extrema importância, mas que agora...
Um espasmo nervoso.

domingo, 20 de julho de 2014

A madrugada silenciosa

Eu não conseguia dormir naquela noite chuvosa. A cabeça deitada no travesseiro não fazia efeito algum. Os olhos, que se fechavam num movimento automático, também não eram capazes de me arrastar aos reinos do sonhar. Meu corpo, em desesperadas tentativas de encontrar uma posição mais confortável, acabava por inutilmente se debater indefinidamente e rolar pela cama de forma infrutífera.
Considerava essa uma das piores sensações que já experimentei até aquele momento. A de rolar na cama sabendo que precisa e quer dormir, mas ver todos os esforços de cortejar uma bela noite de descanso não trazerem nada mais do que maiores frustrações.
Após um longo tempo que me pareceu uma eternidade deitado procurando pegar no sono, escutei ruídos de objetos sendo arrastados no andar de baixo da casa. Duas vozes que começaram a se inflamar me prendiam ainda mais no plano da consciência e acabavam por me despertando também uma certa curiosidade. Eu sabia que se tratavam das vozes do meu pai e do sócio dele. Discutiam negócios, a princípio. Pelo menos, era o que eu imaginava, pois os ânimos aparentavam residir em outro nível neste momento.

domingo, 13 de julho de 2014

O hospital ao cair da noite

Despertou cedo e logo se encaminhou ao seu compromisso urgente. Aquilo não poderia esperar mais. Era uma situação dantes adiada, mas agora precisava resolvê-la de uma vez por todas.
Atendeu às exigências burocráticas requisitadas pelo hospital e foi encaminhado ao seu local específico à espera da operação que se sucederia. Não sentia nervosismo. Queria, porém, passar pelo procedimento adormecido, sem precisar vivenciar a apreensão de acompanhar desperto a cirurgia que, apesar de simples, passaria aos seus olhos e percepção tão veloz quanto os passos de uma tartaruga.
Seu íntimo desejo foi realizado. Foi induzido ao cochilo e mal viu o tempo passar.

domingo, 22 de junho de 2014

Apêndice 1

Caía a chuva nos destroços. Francisco tentava entender de forma mais clara os acontecimentos recentes que se sucederam. O temor ainda pulsava em seu peito. A dor era excruciante e, apesar de ter consciência de que chovia, não conseguia enxergar absolutamente nada.
Não esperava por uma ligação. Era a parte da manhã ainda, período onde a pressa era inimiga de qualquer atividade rotineira de Chico. Nunca esperaria por uma ligação àquela hora do dia.