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domingo, 22 de março de 2015

O vale das sombras

Caía.
Embaixo de si, nada além das fortes rajadas de vento que vinham de encontro com seu corpo paralisado que, sob a influência irresistível da gravidade
você
não
devia
...
caía.
Olhava à volta. Nada além de escuridão, no que parecia ser uma parede cavernal úmida e perigosa. A agonia crescia em seu peito, pois a queda parecia não ter fim – num abismo infernal que, apesar de conter toques evidentemente oníricos, não se tratava de um daqueles simples sonhos de queda livre. Sua própria alma estava gelada e, se pudesse em sua consciência apostar em algo, apostaria que aquilo tudo era

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

O homem sem rosto

Na época, meu irmão tinha seis anos. Era mais uma criança feliz, saudável e esperta, que frequentava a escolinha e não tinha problemas de convivência com nenhum de seus colegas, professores ou familiares. Estava todo tempo a matraquear pelos cantos, correndo e brincando como se não houvesse amanhã. Seus olhos grandes e de um verde claro expressavam de sobremaneira todo seu alegre e constante estado de espírito.
Apesar de toda a intensidade física das correrias e brincadeiras de meu irmão mais novo, o bairro em que morávamos, no centro da capital paranaense, não permitia que a criança saísse às ruas de modo que nossa mãe ficasse sossegada, já que o local era, essencialmente, urbano e muito movimentado. Residíamos em um apartamento alto, bem no meio de uma grande avenida que contava com diversas lojas e estabelecimentos. A frequente e, por vezes, perigosa rotina urbana daquele local trancafiava a mim e ao meu irmão em casa sozinhos, todas as tardes, depois da escola.
Certa tarde de inverno, o apartamento todo fechado, meu irmão, em meio a uma partida de videogame, me confidenciou algo que, pela sua fala, soava como um forçoso momento em que se procura fazer o outro acreditar que aquilo que se está dizendo trata-se da coisa mais normal do mundo:

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Um chamado do caçador

Sentia o frio congelante da noite fazendo seu corpo tremer. Absorvia mais do que nunca aquela atmosfera gélida de desolada escuridão fria e arrebatadora que envolvia seu ser.
Caminhando por um bosque escuro e enevoado, cheio de árvores de copas altas e troncos largos, ele não enxergava nada além de solidão. A grama sob seus pés era fria, úmida e escorregadia. Seu coração batia frenético no peito, enquanto a mente, num turbilhão de pensamentos diversos, buscava um significado para aquele momento.
Foi quando ouviu um chiado baixo.

terça-feira, 22 de julho de 2014

Relato de um acadêmico

“17 de outubro de 1987.

Caros amigos, colegas de classe e familiares,

O motivo que originou esta carta é que finalmente me deparei com um momento crucial no meu curso de graduação, momento este que eu sinceramente gostaria de adiar o máximo possível ou até mesmo nunca vivenciar.
Sou praticamente obrigado, por força de uma necessidade de uma matéria importantíssima, a me encaminhar às entranhas da grande biblioteca do campus. E este é o meu grande problema. Explico.

domingo, 13 de julho de 2014

O hospital ao cair da noite

Despertou cedo e logo se encaminhou ao seu compromisso urgente. Aquilo não poderia esperar mais. Era uma situação dantes adiada, mas agora precisava resolvê-la de uma vez por todas.
Atendeu às exigências burocráticas requisitadas pelo hospital e foi encaminhado ao seu local específico à espera da operação que se sucederia. Não sentia nervosismo. Queria, porém, passar pelo procedimento adormecido, sem precisar vivenciar a apreensão de acompanhar desperto a cirurgia que, apesar de simples, passaria aos seus olhos e percepção tão veloz quanto os passos de uma tartaruga.
Seu íntimo desejo foi realizado. Foi induzido ao cochilo e mal viu o tempo passar.