Às vezes algumas coisas
simplesmente não eram para ser.
Mergulhado em devaneios
profundos, questões que em qualquer outro momento seriam insignificantes, mas
que, naquele exato instante, faziam sentido e tinham importância, fui
arrastando pé ante pé, como um condenado ao corredor da morte ou um infeliz
marcado a passar um feriado prolongado trancafiado com aquele tagarela chato da
família enquanto na TV não existisse nada além de um looping infinito programas dominicais.
Bem, aquilo seria bom para mim,
eu repetia. Insistia no argumento, cada vez mais batido. A voz irritante
matraqueava no meu ouvido, “alá, é bom,
não, não para não...” e eu continuava me arrastando.
– E ai, cara, vamos entrando!
Nem me toquei que já havia chegado.
Profundos devaneios, afinal.
Poderia estar matando,
roubando, vendendo chicletes, tomando uma cerveja com o meu vizinho no happy hour, lambendo os dedos cheios de
farelos de salgadinhos, fazendo ligações a cobrar ou até assistindo a novela.
Mas não. Estava lá, na minha
segunda semana de aulas de muay thai.
